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domingo, 28 de julho de 2013

Tire o seu recalque do caminho que eu quero passar com a minha opinião

Faz alguns meses que uma palavra se tornou muito popular na internet: recalque. Você encontra com muita facilidade no twitter e em máximas no facebook. Houve uma época em que era permitido não gostar das coisas. Hoje em dia, isso ganhou outro nome...

Ilustração por Patrick Braga
Kelly: Confesso que peguei raiva da palavra. Primeiro, porque usam ela o tempo todo e desnecessariamente; segundo, por causa dessa mania de perseguição das pessoas - não consigo encontrar outra justificativa, que acham que são invejadas o tempo todo. Tudo é essa droga de recalque. 

Mica: Falando especificamente da palavra como gíria, recalque eu conheci com as amigas-bixas. E era muito engraçado o jeito diva de usar a palavra pra se defender de tudo! Mas pra variar, quando cai no gosto dos internautas brasileiros, a coisa satura e perde a graça. É o mesmo do que ver aquela sua música preferida virando tema de novela. A definição certa para o que ocorre é “a coisa bregueia”. Agora, em relação a esta atitude de considerar tudo recalque, dá preguiça viu... Porque se eu não gosto das mesmas coisas que você, eu sou invejosa? Que lógica tosca é essa?

Kelly: Taí algo que me deixa de saco cheio. E as pessoas estão tão fascinadas, que aposto que alguma delas ao ler, rapidamente irá pensar 'olha lá uma recalcada se defendendo, risos'. Gente, isso é loucura. Se tem uma coisa ou criatura, que 95% da população aprova e você não, pronto, recebe o selo de recalcada/invejosa. Qual o sentido disso? Desde quando eu não tenho mais o direito de não gostar?

Mica: Acho que precisamos de exemplos práticos para ficar claro. Mulher rã é o novo padrão de beleza das academias. É aquela mulher com pernas super bombadas (lembrando as da rã) e que parecem de jogadoras de futebol. Eu, acho feio. Não gosto, acho feio. Mas eu sou gorda né!? Logo, gorda recalcada porque não tenho aquele corpo. Nãaaaaaooooo! Eu acho lindos vários tipos de corpos: magra, alta, gorda, baixa. Meio cheinha então... aquela “excesso de gostosura”? Acho fantástico. E aquelas mulheres esguias na linha passarela? Acho lindas! Mas mulher bombada eu acho feio. E daí!? 

Kelly: Tipo quando todo mundo começa a babar por uma determinada artista e você não vê nada demais. Pronto, ganhou o carimbo de recalque! (Ou isso nunca te aconteceu?!). Agora, por que não ter a mesma opinião ou gosto, me torna invejosa? Exemplo: Anitta, a funkeira. Muita gente a acha 'talentosa, bonita e com corpo escultural'. Eu não acho. E? Desde quando isso significa que estou remoendo o sucesso dela? Gente, não!!! Simplesmente não acho nada demais e só. Simples e fácil.

Não, não é a Beyoncé em Run The World (Girls), é a Anitta mesmo.
Mica: E isso afasta as pessoas. Lembrei até de uma situação em que, se fossemos dessas, teria acabado a amizade. Adele. Eu amo Adele e você detesta! Alguma vez te chamei de “recalcada que está com inveja porque a Adele é linda, famosa e rica”? 

Kelly: Nunca! Outro exemplo de aprovação feminina: Caio Castro. Todo mundo paga pau e eu não (não tô falando que é feio, só não tenho essa admiração toda). Daí, até pra falar isso você tem que ter coragem, porque já dizem 'Ah, mas aposto que você adoraria ser a garota que ele tá pegando e mimimimi'. Socorro! Não posso não gostar de mais nada!

Mica: Olha, eu não morro pelo cara, mas se ele chegasse aqui em casa agora e falasse “e aí micaela, rola?” ia rolar, claro. A impressão que dá é que a internet é uma enorme turma de adolescentes (independentemente da idade real). Porque é na adolescência que temos essa necessidade toda de pensar igual, se vestir igual, andar igual, falar igual, encontrar os iguais e sair em bando para os mesmos lugares que todos os outros bandos de adolescente vão. E isso é assim porque ainda não sabemos quem somos. Não temos segurança sozinhos. Acho que a internet está na adolescência. As pessoas têm medo de não se encaixarem e se tornam todas iguais, só aceitando os iguais. 

Kelly: E falando de pessoas da vida real, é mais complicado ainda. Tipo, alguém compra um vestido e você acha horroroso. Fulana faz não sei o que com o cabelo, pede sua opinião, você fala que não curtiu. Ciclana sai com não sei lá quem, morrendo de amores, pede palpite e você diz (com toda delicadeza) que não acha o cara nada demais. Já pensaram o quanto isso é complicado? O quanto é mais fácil alguém falar 'É INVEJA!' do que assumir que tem um péssimo gosto?
E também penso o seguinte: Ou as pessoas "se acham MUITO" para se sentirem tão invejadas assim, ou, "acreditar que todos são invejosos", nada mais reflete o interior de uma própria pessoa invejosa. Porque afinal, se ela não consegue lidar com as diferenças, sem sentir inveja, deve imaginar 'por que os outros conseguiriam', né? Daí, acha que todo mundo reage igual. Tenho medo de gente assim.

Mica: Quando alguém me pede opinião, eu procuro deixar meu gosto de lado e olhar para pessoa e para o gosto dela. Tento perceber se é algo que tem a ver com ela ou não. Mas não minto. Talvez cometa até uma indelicadeza ou uma deselegância, mas não por inveja. Considerar todo mundo invejoso por não gostar do mesmo que você pode apenas ser uma fraqueza sua. Lembrei de uma dessas, com quem trampei uma época aí. A frase preferida era “tem inveja de mim, por que eu sou isso, isso, isso e aquilo”. NINGUÉM ali queria pra si a vida dela, aliás as pessoas queriam distância daquele estilo. Então, era defesa. Acho que no fundo, nem ela queria o que tinha. 

Kelly: (Pra galera não me interpretar mal: os 3 exemplos que dei no meu comentário anterior, entendam que não chego em quem não pediu minha opinião pra dar pitaco. Não faço isso. Mas se alguém pedir, eu vou falar... com jeitinho, mas vou dizer o que acho.)

Enfim, isso tudo me lembra uma comunidade do orkut que eu gostava bastante. O nome era "Inveja é um argumento burro". E a descrição, não poderia elucidar melhor:
"- Acho que esta manga está passada."
"- Você está morrendo de inveja da manga. Morrendooooooo!!!"


terça-feira, 11 de junho de 2013

10 namorados perfeitos do cinema

Quem nunca assistiu um filme e se apaixonou pelo personagem?
Quem já ficou sonhando em como seria legal namorar o tal cara na vida real?

Para o dia dos namorados deste ano, criamos uma listinha de casais que o cinema nos trouxe de melhor. Se você está ou não namorando, não importa, sonhar é mais do que permitido!

* Aviso: Há spoilers neste post. 


- Christian, do filme 'Moulin Rouge'



Só a imagem acima, com a legenda que diz "obrigado por me curar de minha ridícula obsessão pelo amor" já resumiria a ideia de usar o lindo do Christian como exemplo de namorado perfeito, mas vamos falar mais sobre esse lindo e contagiante filme. Christian, recém-chegado em Paris, conhece o Moulin Rouge e sua estrela linda e hipnótica, Satine, vivida por Nicole Kidman. O que faz dele tão perfeito? Simples: o fato de enfrentar interesses alheios aos dois e criar um musical todo inspirado na sua musa! Vai dizer que você não iria gostar disso?


- Carl, do filme 'Up – Altas Aventuras'


Tá, eu sei que se trata de um personagem irreal, principalmente por não ser nem uma pessoa com carne, osso e alma que o interpreta. Mas quem não gostaria de um "eterno namorado", que se apaixona ainda criança até que a morte os separe e que, mesmo depois de velhinho e ranzinza com tudo e todos, se dispusesse a carregar A CASA pro lugar dos sonhos da amada?


- Idgie, do filme 'Tomates Verdes Fritos'


Aqui não tem namorado perfeito, mas namoradas também comemoram o Dia dos Namorados, né?! Pois bem, a relação de Idgie com Ruth não é explicitamente tratada nesse belíssimo filme, um clássico das tardes globais também, mas em meio aos tomates fritos e a desconfiança de toda uma vila, o carinho e a proteção, principalmente de Idgie com Ruth faz das duas um bonito par de namoradas do cinema.


- Garrett, do filme 'Amor à Distância'


Interpretado por Justin Long, Garrett é o namorado da Drew Barrymore, onde ambos vivem um relacionamento à distância. Além de lindo e charmoso, é divertido, parceiro e com bom gosto musical. Todas estas qualidades já costumam ganhar a simpatia de qualquer mulher, porém, o que faz ele estar aqui nesta lista é o fato do cara lutar pelo namoro até o fim! Age com maturidade, respeitando os sonhos e a vida da namorada, dá um up na sua própria vida e ainda assim, consegue com que fiquem juntos.
PS.: Quem já viveu um namoro à distância, sabe das inúmeras dificuldades... Como não sonhar com um cara desses?!?


- Edward, do filme 'Edward Mãos de Tesoura'


Aqui, a problemática está nas mãos – literalmente – de Edward. Nem preciso fazer uma sinopse do filme, afinal, a Sessão da Tarde, por anos, nos permitiu saber o começo, o meio e o fim da obra de Tim Burton. O fato de associar o moço (vivido pelo – suspiro profundo – muso Johnny Depp) que teve as mãos substituídas por tesouras afiadas e mantido em segredo do mundo é que ele tenta superar suas próprias diferenças, atitude incomum nos seres humanos ‘normais’, que sempre reparam nos outros antes de si mesmos, para que consiga conquistar sua paixão.


- Jack, do filme 'O segredo de Brokeback Mountain'


O namorado que toda mulher gostaria de ter, pois é lindo, carinhoso e gentil, mas que numa aproximação com o até então amigo Ennie Del Mar (vivido pelo lindo e saudoso Heath Ledger), se mostra um namorado perfeito para um homem, por ser lindo, carinhoso, gentil e... caçador! Pra quem não viu, já adianto: filme triste, mas com atuações tão viscerais e marcantes que me fizeram incluí-lo nesse especial.


- Ferris Bueller, do filme 'Curtindo a Vida Adoidado'


Se você passou dos 20 anos, certamente sabe que o Ferris era o cara mais COOL do mundo!!! Clássico dos anos 80, todos se recordam do garoto que matou um dia de aula para viver a vida. Mas ele não ficou trancado no quarto assistindo 'vale a pena ver de novo' ou jogando video game. Ele foi viver de verdade! 'Diversão com êxito' é o seu nome: aprontou de tudo e ainda se saiu bem em todas. Na trama, ele namora a Sloane e carrega junto seu amigo Cameron. É o namorado perfeito porque é o namorado bróder. Se todo mundo queria ser amigo do Ferris no filme, imagine ser a amiga e mulher a quem ele chama de 'minha', hã? hahaha


- Lars , do filme 'A Garota Ideal'


Já vimos Ryan Gosling ser o "garoto ideal" em "Diário de uma Paixão" (já bem popular nas listinhas de filme pro Dia dos Namorados), mas nesse filme ele vai além... seu personagem é extremamente introvertido e tem uma vida um tanto enfadonha, até conhecer uma namorada pela Internet. O problema é que ela não seria uma garota ‘de verdade’, pois seu irmão, a esposa do irmão e A CIDADE TODA a vêem como uma réplica humana, feita de silicone! Lars, no entanto, nem se abala e continua amando a moça do jeito que ela é, sem medo de ser feliz à sua maneira. Olha que prova de amor!


- Wall – E, do filme 'Wall – E'


Com a ideia de falar de casais fora do eixo comum, nada melhor do que um robô old school se apaixonar por uma robô moderninha! E melhor, salvar o mundo por ela! Junto com uma – até então, impossível – simpática baratinha, o robô galã parte rumo a uma aventura para salvar a última planta da Terra, e claro, fazer com que Eva se salve também. Muito amor na era da tecnologia de automação, né?!

- Eric, do filme Julie & Julia


Ele não é o cara mais lindo do mundo. Ele nem aparece muito no filme. Mas merece ser lembrado e muito. Eric é o namorado de Julie, uma jornalista na crise dos 30 que sonha em ser escritora. Para realizar seu sonho decide escrever um blog em que conta suas aventuras cozinhando uma receita por dia do livro de Juila Child. Durante todos os 300 e poucos dias está lá, do seu lado, Eric. Ela transforma a vida deles numa loucura, gasta o que não têm para comprar os ingredientes, tem crises de choro e existenciais e ele continua lá, do lado dela. Quer exemplo melhor de apoio? Nada de cara que foge correndo na primeira vez que vê a namorada chorando perdida, sem saber o que quer da vida. Eric é o cara que diz, estou com você, vamos lá. É amor!


Esses são exemplos de casais que merecem uma atenção por serem simplesmente lindos, mesmo com algo de 'diferente' neles. Qual seria o seu 'namoradinho perfeito do cinema'? Mandem sugestões de filmes com casais interessantes! Gostamos de filmes violentos, de máfia, de pancada, mas de vez em quando é bom ver filmes onde existam os famosos beijos de Fim.



* Este post contou com 70% de colaboração da amiga Danieli Corrêa. Nosso muito obrigada!! =*

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Homens, entendam...


"O homem dá esporro é um cara enérgico, a mulher dá esporro é uma puta desequilibrada".

Kelly: Uma vez a cantora Rita Lee soltou esta frase no twitter e eu me senti compreendida. Simples: a frase em si retoma a várias outras situações que nós, mulheres, passamos. Pois parece que somos "obrigadas" a atingir a perfeição o tempo todo. Quem disse que toda mulher deve ou tem talento para ser a 'Mulher Maravilha'???

Mica: Já vi várias mulheres reclamando disso: tem que ser profissional bem sucedida (mas não muito pra não assustar o cara), excelente mãe, ter uma casa impecável, estar sempre linda em cima do salto com maquiagem completa (sem exageros), ser divertida, alegre, não ser ciumenta, corpo de revista mantido a qualquer custo e ainda dar show na cama. Aí eu penso - pra manter tudo isso o dia começaria mais ou menos às 5h da manhã. Aí acorda, prepara o café, come uma fruta e vai correr, ou vai pra academia, volta 6h30, toma banho, se arruma, maquiagem completa e escova no cabelo. Chega no trabalho pontualmente, corre como louca pra provar que sabe. Volta, pega as crianças na escola, leva pra natação enquanto vai ao supermercado e... o dia nem acabou, já estou cansada e sexo é a última palavra que eu quero ouvir!

Kelly: Pois é! E essa rotina vem sendo divulgada, super apoiada e louvada por mulheres de "opinião'', que se orgulham em dizer que este é um dom feminino. Então eu nasci no corpo errado, porque eu não tenho talento e nem vontade pra isso. Essa piração de TER QUE ser boa em tudo, para mim não é vantagem, é desgraça.

Mica: É prisão! É mais uma vez permitir que a sociedade nos diga o que é ser mulher e passamos à uma corrida sem fim pela suposta perfeição feminina. Eu vejo várias consequências ruins disso: mulheres julgando mulheres por não se enquadrarem, mulheres que não se enquandram e nem querem sofrendo com essa tensão e com a cobrança, mulheres fazendo qualquer absurdo pra se enquadrar e, o pior e mais comum, mulheres e homens buscando uma mulher que nem ao menos sabem se realmente desejam. Aprenderam que é a assim, mas não conhecem se é isso que realmente querem.

Kelly: Só lembrando que é normal, claro, uma pessoa desejar ser excelente em várias coisas. Mas ser perfeita em tudo? Urghhhh. E não sei se me irrito mais com as mulheres que reforçam essa modinha babaca ou se com os homens, que acreditam piamente nessa palhaçada e ficam cobrando coisas. Engraçado é que o número de atividades de uma mulher só aumentou dos anos pra cá, e mesmo assim, com todo esse monte de afazeres, nem direito de fazer cara feia a gente tem ou de soltar um palavrão - porque afinal, é tão feio, né, mulher falando palavrão. Ah vá!

Mica: hahaha Outra coisa que noto e que me irrita muito é que quando o objeto de análise é a mulher, todo mundo tem um modelo do que deve ser feito. Leia algumas das timelines mais bombadas do twitter e vai ver vários caras e algumas garotas com tuítes tipo “mulheres entendam...” “mulheres aprendam...” “vocês mulheres...”. Compare com quantos tuítes na mesma linha ditando regras de comportamento terá como objeto os homens. É muito comum um cara dizer que mulher deve ser assim e tal. E a mulherada, quando fala, é meio na linha “quero dar o troco”... Em resumo: há regras de comportamento para mulheres serem mulheres, mas homem só tem uma regra para ser homem: não pode dar o cu.

Kelly: É. Aliás, o único meme que vejo mulheres publicando é o 'Homens façam amor, não façam a barba'. Porra, mas que difícil, hein, homens?! Até a melhor parte fica pra vocês. =P

Mica: Eu diria façam a barba porque sou alérgica e com ela não rola amor. Olha aí! Está vendo como padrões não fazem o menor sentido!? Vou criar o meme “Homens parem de ditar regras e beijem logo minha boca!”.

Kelly: E sobre essa cobrança, digo por experiência própria: Se eu chego no trabalho com cara de 'poucos amigos', sempre aparece um homem pra se incomodar e perguntar o que aconteceu. Se a situação fosse oposta, aposto que ninguém ficaria buzinando na orelha dele. Homens reparam na gente o tempo todo! E tem horas que isso me enche demais!!! Se eu chego com o cabelo molhado, ouço 'Hmmm, tomou banho?' [puts, essa é péssima!]. Se estou cheirosa, comentam também. Poxa, eu não quero saber se o perfume tá bom ou ruim, eu tô passando o perfume PRA MIM. E se o cara pergunta da minha vida [sendo que nem meu amigo é] isso não é cuidado, é curiosidade excessiva pela vida alheia e eu não suporto. A única obrigação que eu tenho é tratar os outros com educação e só. Eu não ganho pra sorrir e acenar como uma Miss. Eu não tô interessada na opinião de um cara sobre as minhas unhas, meu cabelo, meu vocabulário, meu humor. Aliás, eu só me interesso quando estou a fim do cara, do contrário, não. Eu não tenho super poderes, não quero ser a Mulher Maravilha e me dou ao direito de ser chata quando for preciso, de usar o cabelo como bem entendo e sorrir quando me der vontade.

Mica: E o mais irônico é que NINGUÉM se encaixa no padrão. Olha como somos malucos! Lembro de uma vizinha que fazia a linha mulher perfeita. Família linda perfeitinha, duas filhinhas princesas, casa linda com piscina e churrasco para os amigos no fim de semana, magra, cabelão gisele, carro, etc etc etc. Um dia, pós churrasco, ela desabafa com uma amiga “tenho uma vida perfeita e é por isso que eu não largo o meu marido, mas eu não o amo mais, ele só é um bom pai para as minhas filhas”. Isso é vida perfeita!? Manter uma aparência de felicidade e sucesso é ser feliz? Alguém que realmente se ama, manteria uma relação infeliz? Não. E não tem hipótese nem discussão.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sorte ou conquista?


Hoje rolou o sorteio do livro Tsunami (da Lara Fidelis) na nossa fanpage. E o resultado você pode conferir aqui! E aí ganhou? Deu sorte? É a sorte...

Mica: Sorte já é difícil de definir. Tem gente que acha que sorte é ganhar - sorteios, loterias, rifas. Mas para muitos, sorte é ter saúde... Que é uma coisa boa é a única certeza. Você se considera uma pessoa sortuda Kelly?

Kelly: Olha, falando de sorte em sorteios e essas coisas, se eu fizar uma boa análise, até que não tô mal das pernas. Teve uma época (muito boa por sinal) que eu ganhava ingressos pra show, prêmio em festa de fim de ano da firma, etc, haha... e em 2012, após muito mimimi no twitter, ganhei ingresso para um show que eu não tinha um tostão pra ir. Se eu reclamar, é mancada minha com o Universo. Mas, sem demagogias, acho que a melhor sorte que se pode ter é saúde. Aliás, só se aprende a dar valor quando a coisa complica. Enfim. Mas tirando essa parte séria - saúde - é uma delícia ganhar coisas sem nenhum motivo específico. E você, Mica, como encara a sorte na vida?

Mica: Eu não tenho sorte. É uma realidade com a qual tenho que lidar. Nunca ganhei nem bingo da família. Tudo que eu consigo e as pessoas dizem “nossa que sortuda” elas só falam porque nem imaginam o quanto eu ralei pra conseguir. Sempre foi assim. Confesso que consigo 90% do que desejo. Mas é sempre com muito esforço e ralação. Saúde? Bom se saúde for sorte gastei toda a minha aí: não fico doente. Minha doença é gripe, duas gripes ao ano (quando TODO mundo pega) e às vezes ainda escapo destas. Nunca tive uma doença grave. Minha única doença de infância foi catapora. Essas doenças que todo mundo tem na vida adulta? Nops. Até estranhei quando tive dengue o ano passado. Está certo que existe epidemia de dengue desde que sou criança e só peguei em 2012, mas juro que achei que ia morrer sem essa hahaha

Kelly: Há pessoas que dizem também que sorte não existe, coisa que eu não concordo. Já vi muita gente que não ralou e nem suou pra nada, e quando faz a primeira aposta já dá certo de cara. Que isso, então? hahah... esta sorte eu também gostaria MUITO de ter.

Mica: Em trampo se vê muito isso. Existem milhares de talentos desperdiçados por aí. Porque não lutaram? Porque não souberam fazer seu marketing? Pode ser que sim, mas também tem os que fazem tudo certinho e mesmo assim não rola. Lembrei de uma frase da Rosana Hermann - sorte conta uns 70%. 20% networking e 10% talento. Porque tem muita gente boa por aí, você tem que estar no lugar certo na hora certa e isso, só com sorte.

Kelly: Agora, taí coisa que não há livro que nos informe: A hora exata! E acho que nem cartomante saberia definir... O que nos resta então é tentar. Tentar sempre e sempre. Cansa (às vezes até demais), mas vale lembrar o 'vai que dá certo'...

Mica: Eu até nem uso muito o “boa sorte”. Em geral desejo força e sucesso. Não é que não acredite na sorte, acredito sim que tem uma galera sortuda. Tive um sogro que ganhava todas as rifas que entrava, chegou a DECORAR a casa do ex com prêmios de rifas... Mas é que eu não conheço a sorte e acho mais fácil ter força, trabalho e sucesso.

Kelly: Sim, concordo. Mais seguro cada um fazer a sua parte do que esperar pela vida. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Muitos chinelos para você



Conversando como faríamos o post de fim de ano, naquelas nossas conversas infindáveis que vocês tanto acompanham, percebemos que o mundo está carente de motivos para acreditar que ainda vale a pena. Tanto que quando olhamos uma imagem como esta, é normal surgirem DO NADA alguns ciscos nos olhos e uma coceira estranha na garganta. 

Por isso, em 2013, desejamos que vocês tenham muitos chinelos. Chinelos para doar a quem precisa mais do que nós. Chinelos para descansar os pés maltratados depois de um dia inteiro de trabalho. Chinelos para andar na areia. Chinelos para matar as baratas do caminho e até para pagar de cool na frente de gringo. Porque acreditamos que sim, é só olhar por lado que saberemos, ainda vale a pena.

Beijos, até 2013! 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

2012 ainda pode ser o melhor ano da sua vida



No fim do ano passado conversamos sobre os planos de ano novo, sobre listas, objetivos, sonhos e toda a esperança que mudar de ano pode nos trazer. Agora que outro ano está acabando, fatalmente olhamos para ele e pensamos: foi ou não foi bom? 

Kelly: Tenho a impressão de que a cada ano que passa, mais e mais pessoas compartilham por aí [seja verbalmente ou por redes sociais] o quanto o ano foi ruim, péssimo, o pior dos piores, etc... Concluir que o ano foi uma bosta parece ter se tornado viral. (Claro, todos têm o direito de desabafar o quanto precisarem). Mas sinceramente, tenho uma leve preocupação sobre isso... Eu, assumidamente, reclamo muito o ano inteiro. Mas quando este termina, tento olhar o que houve de bom e não arruinar a "nota" dele. Porque convenhamos, pelo menos um único momento bom, todos devem ter vivenciado. 

Mica: Isso me lembra uma conversa que tivemos um dia aí. Eu te disse que percebi que eu olhava mais para os momentos ruíns do passado do que para os bons, disse estar cansada disso, querendo mudar e olhar mais para o que me faz bem. Incrivelmente, não sei se por ter mudado o  foco, mas este ano foi um dos melhores da minha vida e ele nem acabou ainda!

Kelly: Que lindo ler isso! Acho que me recordo desta conversa, e se eu não falei no dia, digo aqui que passo por este problema de às vezes olhar demais para o que houve de ruim. Este ano, tenho me esforçado para mudar isso. Ainda não cheguei lá - e já te parabenizo porque mudar de atitude não é fácil, exige uma puta persistência - mas não desisti. E é como diria um amigo meu "Ser feliz dá trabalho, requer determinação''.

Mica: Muita e é muito difícil mudar sim. Lógico que tem mágoas que ainda se revoltam aqui dentro e tentam acabar com minhas boas lembranças. Principalmente na TPM... Maaaas, mudar o  foco é que fez diferença. Talvez seja isso o importante. Porque facilmente enxergamos o que é ruim, mas se requer trabalho, determinação... aí pode ficar pro ano que vem... Não, não pode! 

Kelly: Difícil atingir a fase em que tudo esteja 100% correndo bem, e acho que isso nem existe. Não é pessimismo, é apenas aceitar a 'vida como ela é': às vezes ela te presenteia e às vezes você toma um tapa na cara. Por que é assim? Não sei. Mas perder o tempo tentando achar a resposta, também não ajuda. Logo, é partir para mudar o foco. 

Mica: Vou dar um exemplo: eu poderia olhar para 2012 e pensar em como foi difícil quando passei por problemas de saúde e do desespero que fiquei com tudo que os médicos diziam. Mas eu me dediquei ao tratamento e só consigo ver o quanto estou feliz por ter alcançado um objetivo que tenho há anos e nunca enfrentava. Então eu ganhei na loteria, casei, tive filhos, conquistei o Brad como amante e por isso 2012 foi o melhor ano da minha vida? Não. Foi tão ou mais difícil que muitos outros, mas foi um dos melhores por tudo que conquistei, mesmo ele sendo difícil. Eu podia só ver o que foi ruím e decidi ver tudo.

Kelly: Olhando para o meu ano, diria que foi turbulento. Tanto que cheguei ao ponto de sentir saudade do tédio, porque não aguentava mais toda hora acontecendo alguma coisa. Porém não foi o pior. Quando olho para 2012, se lembro de um dos problemas, recordo que nele houve um amigo ali comigo. E sobre amigos, se uns foram embora, outros maravilhosos surgiram. E nisso, posso dizer que a Vida é sempre generosa [pelo menos comigo]. Apesar de existirem pessoas from hell que estressam e amargam o dia a dia, há as outras... aquelas lindas que aparecem, e nos dão a mão, o braço, o sorriso, tudo. Não há como não ser grata por isso. 

Mica: Isso me fez lembrar de um lugar comum que, apesar de eu ter preguiça de lugares-comuns, muitas vezes nos dá um tapinha na cara. Aquela ideia de que as pessoas que menos têm, que mais têm problemas, são mais gratos e mais lutadores do que toda a outra maioria. Vi esses dias uma reportagem de uma garota na Tailândia que nasceu com um tipo de tumor gigante no rosto, é congênito e mesmo operando ele volta a crescer. Ela tinha o rosto completamente deformado. O rosto... Aí estava agendada uma operação pra ela e teve que ser cancelada porque ocorreu a maior cheia dos últimos sei lá quantos anos. Quando foi entrevistada a resposta foi “Eu vou pedir para que estas pessoas que estão desabrigadas e doentes fiquem bem. Não é certo dar todo o sangue pra mim se ele pode ser usado para salvar muito mais pessoas que estão doentes por causa da enchente”. Ela não tinha o rosto e pensou no outro.



Kelly: Lindo relato! E falando ainda de 2012, ele acabou? Não. Ainda faltam praticamente 20 dias. E daí, vejo as pessoas jogando toda uma oportunidade de ser feliz JÁ, para 2013. Pode isso, Mica? hahah 

Mica: hahahaa Não, não e não. 20 dias dá tempo de muita coisa, até de parar de regular a merreca! 

Kelly: Se você tem um livro pendente pra ler, você pode começá-lo agora. Pode ser que você não termine no dia 31 - mas e daí? Se você ficou adiando conversar com alguém [seja um amigo ou um pretendente] por meses, o que te impede de fazer isso já? Por que deixar como 'meta para 2013', sendo que taí uma oportunidade de fechar o ano com sucesso? Hein, hein? 

Mica: Dá tempo de procurar emprego novo, nem que sejam os temporários de fim de ano; de adotar um bichinho de estimação; de ir ao médico e ver se está tudo ok antes de se estragar mais nas festas; de tomar um porre com o povo do trampo pra fechar; de comprar uma bicicleta e até de casar!

E aí, o que dá tempo de fazer em 20 dias?



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Presente de grego é tendência nos próximos dias

Dezembro esta aí e com ele as festas de fim de ano! Delícia né!? Sim, mas tem uma coisa: presentes... Pode ser bom, mas pode ser...


Mica: Caro. Não, pera. Se é bom, geralmente é caro e por isso ou eu não vou ganhar ou vou comprar e me arrepender do gasto depois.

Kelly: Catastrófico. Esta época de presentes sempre gera um frio na barriga. Porque se você não gostar do que ganhou, como disfarçar? Outro frio na barriga é na hora que você dá o seu presente. A cara da pessoa pode estragar a sua festa natalina. 

Mica: É mais fácil errar do que acertar num presente. Se for pra me presentear então... eu acho super fácil, mas as pessoas sempre, SEMPRE, me dizem que não fazem a menor ideia do que me dar... até minhas irmãs dizem isso. E eu amo dar presente, confesso que errei pouquíssimas vezes. Resultado: dou presentes legais e ganho nada. 

Kelly: E pra ajudar - só que não, há um grupo de pessoas que talvez seja mais difícil ainda de agradar. Neste grupo encontram-se: sogra, chefe, cunhados, tia-avó, e por aí vai. Como lidar? 

Mica: Tia-avó! hahahahahha Sogra é uma categoria que se define por: sogra. Pode comprar uma casa no Caribe que ela vai dizer algo como “obrigada, pena que é longe”.    


Kelly: Outra situação complicada que você pode se enfiar neste fim de ano, é naquele chamado 'amigo da onça'... A não ser que você realmente esteja no espírito natalino, porque do contrário, não recomendo. Lembro de um amigo da onça que participei... um cara tirou uma garota e deu um pinto/pau/piroca de chocolate. Só ele riu. Foi tenso. Daí, vocês percebem que a falta de noção das pessoas não muda com o Natal. 

Mica: hahahahhaha Amigo-secreto já é chato, mas já que vai fazer, que seja o normal. Essa história de fazer uma brincadeira pra ficar mais engraçado é péssimo! Nenhuma das versões foi realmente um upgrade. Amigo da onça, amigo ladrão, só vale 1,99...

Kelly: Pra vocês verem. Se amigo-secreto fosse sucesso de verdade, não inventariam derivados...

Mica: Mas se os leitores quiserem me presentear eu vou amar! Meus desejos neste ano são livros, quebra-cabeças de no mínimo 1000 peças, uma rasteirinha marfim e... (acho melhor fazer uma lista e mando por e-mail!)

Kelly: Não me mandando piroca já tá bom... hehe

sábado, 13 de outubro de 2012

Qual era sua ideia de felicidade quando você era criança?


Crianças sonham com o dia em que serão adultas. Sonham em ser astronautas ou cantoras e aparecer na tv. Sonhávamos em ter um fusca igual o do vizinho ou aquele carro incrível que mal sabíamos o nome. Queríamos namorar um cara que fosse parecido com o galã da novela ou, no caso dos meninos, aquela professora da 2a série. Tínhamos sonhos de consumo material, vida profissional e até uma idealização amorosa. Mas, mais do que isso, acreditamos que todos nós tínhamos um único sonho em comum: SERMOS FELIZES.

E para o Dia das Crianças deste ano, o Minha Saia é Mais Justa convidou os leitores a participarem com a gente deste post. As respostas você confere agora:

Tatiane Leal: Quando criança sonhava em morar em um sobradinho com portas e janelas de madeira, um uno mille na garagem, ser uma executiva de sucesso, com corpão violão e uma filha com cachinhos dourados e olhos azuis... ah e tb um moreno, alto, bonito e sensual... hehe!!! Hoje meus sonhos mudaram...mas bem que um corpão violão eu queria ter... kkkk

David: A alguns anos atrás, voltando do trabalho, me relembrei disso tudo e comecei a rir sozinho quando pesei toda essa história: Meu pai criou mesmo uma empresa dele de desenvolvimento de software e eu até ajudo ele, mas apenas no meu tempo livre, trabalhei demais no começo do meu casamento e vi que realmente não era aquilo que queria pra mim, família é mais importante e não tenho ambições de ser rico, apenas quero ser bom pai e marido... CASEI, e Graças a Deus não foi com a prima da vizinha lá de Pernambuco que havia reencontrado no Facebook esses dias e está LINDA (a vizinha), mas a prima dela tá HORRÍVEL, mas tadinha, casou também! rsss E sobre as invenções e viagens no tempo... Bem, esses eu continuo vendo apenas nos filmes, prefiro curtir cada minuto do meu tempo atual com minha família e aprendi que o a melhor infância de todas que eu já tive, é a infância do agora, é a que vivo com minha família, com meu filho, com meus amigos e a que cada dia eu vou aprendendo e "enjuvelhecendo" cada dia de minha vida! ;D

Juliê: Eu, a canceriana mor, passei boa parte da minha infância entre meus sonhos... Eu queria ser bem sucedida na minha carreira, independente, viajar muito, não queria ter filhos nem casar, namorar bastante e ter uma biblioteca gigantesca (qdo eu era criança não existiam PC's com capacidade armazenar milhares de livros rs), queria falar vários idiomas e queria participar da ONU... ah, tbm queria ser paquita e arqueóloga rs. Uma parte dos meus sonhos se realizou. Quem lembra de mim no Xou da Xuxa??? Brincadeira rsrsrs. Bjosss

Priscila Aguiar: Quando eu era criança tinha mania de conversar com as minhas irmãs sobre quando a gente 'era grande' ... as ideias ... contávamos sobre os nossos carros, geralmente algo do tipo o carro da Barbie, profissão, roupas e etc. Mas lembro q meu sonho mesmo era ser desenhista e trabalhar nos estúdios Maurício de Souza, mas, as coisas mudaram totalmente de rumo, pq né ... hoje em dia eu sou economista.

Fernando Macedo: O meu ideal de infância se alternava: ora queria ser cientista, ora escritor (fascínio pelo mundo dos livros). Mas, o que mais me chamava a atenção eram os mendigos, sempre perguntava para os meus pais, e não obtinha uma resposta. Era..somente: Fique longe, deles..rsrs

Mica: Eu lembro pouca coisa do que sonhava para o futuro: ser bem sucedida profissionalmente, ser escritora, fazer psicologia, conhecer Paris, ser rock star, linda, alta e ter seios grandes. Lembro mais do que eu queria realizar ainda na infância: fazer violão e ballet clássico, escrever um livro, ser a melhor aluna da sala, ser mais alta pra ficar em último na fila, saber cozinhar e ir ao show do Legião Urbana e da Madonna. Acabo de constatar que eu já era bem parecida com o que sou e ainda tenho alguns destes sonhos na minha listinha... 


Kelly: Meu sonho de consumo era ter um Escort XR3 vermelho, haha. Queria ser linda e ter cabelo comprido [pq quando criança, meu cabelo sempre foi chanel e curtinho]. Sobre profissão, eu gostava de muitas coisas, mas sonhava em ser uma cientista. Daí, eu mesma brincava de fazer experiências com meus amigos e anotava no meu caderno. Enfim, eu queria ser bem sucedida em tudo. Queria ser sucesso, ahuehaua. E, achava que quando fosse grande, eu teria tanto dinheiro que conseguiria tirar todos os cachorros da rua...


Que tal nos contar também, qual era a sua ideia de felicidade quando você era criança?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tenho 30 anos e moro com meus pais

Não sei dizer a data certa, mas suponho que há uns anos atrás era inconcebível a ideia de morar com os pais depois de uma certa idade. Na real, fácil chutar que qualquer sonho adolescente era justamente este: Ter seu próprio cantinho.
...Tempos difíceis os de hoje: Você chegou aos 30 anos (ou está quase lá) e ainda mora com o papai e a mamãe. Contar isso pros amigos pode gerar uma gargalhada... mas, 'PERA! Você pode ter ficado em casa por não ter tido grana suficiente. Porém, também existe o grupo dos que curtem morar com a família.
Preconceito com a galera 'Tenho 30 anos e moro com meus pais'. Você já passou por isso?

Mica: Olha, confesso que tenho um pé na turma desse preconceito aí... um pé quase tirado, mas tenho. No fundo, eu não me permito ter preconceito porque acredito que cada um deve escolher o que precisa para ser feliz e eu não tenho nada com isso até que esbarre em mim. Mas como saí de casa aos 19 anos sem um puto no bolso, com a cara e a coragem, realmente questiono muito a galera que já tem 30 ou mais e ainda mora com os pais. Cada caso é um caso, existem “N” motivos. E realmente procuro entender e não ser uma julgadora impiedosa. Só que pra mim, ter sua casa e cuidar da própria vida é essencial. Enquanto não se faz isso, não se é realmente responsável por si.

Kelly: Vejo sentido. Mas, vou defender o meu lado e explicar minha situação [já que não tem como adivinharem]. Eu saí de casa pela primeira vez aos 18 anos de idade, pra morar em outro estado [Santa Catarina]. Não deu certo, tive que voltar. Depois, com 20 anos, morei 2 anos e meio sozinha. Experiência ótima, excelente, me fez crescer, etc e etc. Não me arrependo de ter saído de casa. Mas também não me arrependo de ter voltado. Minha atual situação é a do grupo que está perto dos 30 anos mas ainda mora com os pais. E digo que: Eu poderia me meter em uma kitnet ou apartamento e me manter com o que ganho. Mas hoje, digo HOJE, eu não quero. Por quê? Porque por mais infantil ou estranho que isso possa parecer, sei lá, eu realmente aprecio a convivência com a minha família. Logo, não tenho planos em me mudar tão já, e muito menos por acharem vergonhoso. Se eu tô feliz aqui, vou ficar aqui. Simples, 'galere! =P

Mica: Da forma como eu encaro isso, eu vejo a sua situação em outro plano: você já saiu, voltou, saiu de novo, voltou, escolheu ficar. Você teve muitas experiências (até mais do que eu, que nunca voltei) e escolheu ficar porque gosta. Quem nunca saiu não sabe o que é viver sozinho, nem na parte boa, nem na ruím. Não sabe o que é ter que pagar TODAS as suas contas, cuidar da casa, organizar a vida e ainda fazer de um jeito em que se sinta bem. Conheci vários caras (principalmente caras) que diziam que iam sair um dia, mas era foda porque aí iam ter que lavar roupa, fazer comida... Aff... Imprestável preferir morar com os pais porque não quer lavar a própria cueca!

Kelly: Ah, aí sim, concordo. Entra no lance de 'não vou sair de casa porque sou preguiçoso ou porque não quero ser independente'. Ok, isso me broxaria em um cara. Na real, eu acho o seguinte: é muito válido sair de casa por todas as situações que você mencionou acima. Sem cair em contradição, acredito que esta é uma situação que todo adulto DEVE vivenciar. Porém, se o lance não é preguiça de cuidar das próprias coisas ou assumir suas despesas, não vejo porque tanto "auê". Eu me lembro que há muitos anos atrás vi uma entrevista com o Supla, falando que ainda morava com o pai dele, o Suplicy. Na época, eu ainda não havia saído de casa e não o compreendi muito bem. Ele dizia estar lá com o pai porque gostava, simplesmente. Hoje me vejo neste caso. Adorei morar sozinha. Mesmo!! Foi uma época muito feliz, foi uma fase importantíssima. Mas o presente me satisfaz, ainda mais quando sei que isto vai acabar logo [afinal, quando se está perto dos 30, seus pais já não são tão novos e seus irmãos também não vão ficar por muito tempo ali]. Enfim, é isso...

Mica: Eu tentei morar com minha irmã. Por duas vezes. Não deu certo. Morei com amigas e amigos, nas repúblicas de faculdade, dava certo uns dias e outros não. Mas eu só funciono sozinha mesmo. Por outro lado, vejo que de certa forma eu aprendi isso com minha mãe. Ela acha absurdo um adulto “ficar vivendo as custas dos pais”. É assim que ela vê. Acha que quem está morando com os pais não assume e no fundo se aproveita dos pais. Depois de uns anos que eu estava fora, uma irmã casou e a outra se mudou para o vilarejo. Minha mãe saiu de uma casa de 3 quartos para uma de um quarto e mandou minha cama para Marília. Hoje ela diz que não quer morar com a gente, que se sente melhor tendo a casa dela e fazendo o que quiser. Nos falamos todos os dias, nos vemos sempre, mas cada uma na sua casa. E sabe, as pessoas estranham horrores. Já ouvi muito “mas PORQUE você não mora com sua mãe!?” Para muita gente é como se eu tivesse abandonado-a. Para nós é o caminho normal da vida.

Kelly: Compreendo, respeito e não me intrometo. Acredito então ser um lance de educação familiar [?]. Aqui em casa não rola disso... Houve épocas de eu estar morando aqui e um dos irmãos não [como sentíamos falta!] E quando ele voltou, foi uma festa! Acrescento também que ninguém aqui é mimado por conta disso. Cada um paga suas contas, tem a sua vida. Mas no final, todos depois de um dia de trabalho, voltam para o mesmo lugar: nossa casa. Eu gosto disso, assumo. Tá, não está nos meus planos viver aqui pra sempre [como disse, estou vivendo o 'agora' como eu quero], mas sei que daqui um tempo vou querer sair de novo. E sei que quando voltar, nem todos estarão aqui. Meio deprê, porém, é por isto que tenho aproveitado o 'HOJE'.

Mica: É, é algo familiar. Acho que o fato do meu pai ter falecido quando eu tinha 13 anos, também conta. Ele também era favorável a “filhos com sua vida”, mas minha mãe precisa de privacidade. Ela é uma mulher solteira. Quero que ela saia, namore, leve seus namorados para casa, faça um jantarzinho romântico. Sem ter a filha vendo TV na sala... Era importante pra ela ter esta liberdade. Assim como é importante pra mim, porque também sou solteira. Já vi pessoas que moram com os pais para cuidar deles, que já são velhinhos. Acho isso admirável, me emociona. Tem quem `tá numa fase ruím mesmo de grana, saúde, e precisa ficar num local seguro. Por isso que disse “N” motivos. Estas situações e agora a sua, me fazem pensar que super normal a pessoa estar com os pais. Mas outros que demonstram que no fundo a pessoa prefere continuar sendo filho a assumir a própria vida, me fazem desistir dela. Crescer, abrir a mente, chegar mais longe é algo que considero muito importante numa pessoa.

Kelly: E agora? Momento saia justa! O que o você, leitor, pensa disso?


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

(In)Dependência Sentimental


Por Julie de Abreu


Nove anos... Esse foi o tempo em que passei no meu último relacionamento. Um namoro que começou sem muitas esperanças de dar certo, mas que no final durou (e como!).

A decisão do fim foi quase mútua, já não dava mais para fingir que estávamos em sintonia, não poderíamos mais ignorar que nossos planos eram divergentes. Então, o que restou foi o tão temido fim.

Sim! O fim é temido por todos, minha gente! Não importa o grau de instrução ou o nível social, assim como um psicotrópico qualquer, o “amor” vicia e nos torna dependentes do outro com uma rapidez inacreditável. Como todo adicto, o dependente de amor sofre para sair da situação de vício. E superar essa dependência demanda algum tempo na rehab.

Além da reabilitação all inclusive (com música do Robertão, ombros de amigos/as e encontros furados), é preciso uma dose de boa vontade, um resquício de dignidade e uma pitada de autoconhecimento.

Sabe aquela conversa de: saia, conheça pessoas, faça um curso, viaje pra longe, etc, etc, etc. Não funciona. É como um tratamento paliativo, distrai e tira o foco do verdadeiro problema.

Em geral, buscamos a felicidade fora. Seja no outro, em compras no shopping, em momentos com os amigos, na carreira ou na família. Tudo isso é importante. Mas, e quando estamos sozinhos com nossos pensamentos e sentimentos? É nessa hora que o bicho pega e a porra fica séria? Oh-oh...

A independência sentimental só funciona quando sabemos exatamente o que queremos. Aí então, as conversas com o ex deixam de fazer falta, a ligação do amigo colorido não é tão importante e o carinha da balada se torna apenas... O carinha da balada.

Afinal, ao contrário do que os Best Sellers de auto-ajuda para a meninada solteira dizem, não devemos ser poderosas para casar ou nos mostrar independentes para atrair um bom partido. O negócio é fazer isso por nós mesmos, para a nossa (própria) alegria!!!

Não digo que é fácil. Eu mesma estou na rehab e tenho trabalhado com alguns passos para atingir o objetivo (vou patentear isso).

Quero deixar claro que carência é normal, é humano até. Só que ao invés de recorrer a um pote de Hagen Dazs, ao telefone do último rolo ou ao facebook com aquelas frases #foreveralone, que tal mudar o foco e tentar achar dentro de si mesma o motivo para estar feliz?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O dia dos namorados


Mica: Ele está chegando junto com a velha história: presentes, solidão, dor de cotovelo, promoções, “mimimis” e demonstrações de paixão explícita a todo momento. O MSMJ não ficou de fora do momento e para não dizer que só defendemos o lado feminino, hoje tem convidado!

Kelly: Eu não ligo pra quem fica feliz com o dia, o difícil é aguentar quem tá solteiro e começa com o excesso de 'mimimi'.

Fernando: Concordo, Kelly. Isso é chato. Gente pedindo namorado ou namorada só pra passar esse dia, que é um dia normal. Quem namora e gosta, faz de todo dia, dia dos namorados. Quem não namora, que aprenda a viver consigo mesmo (difícil).

Kelly: Quem fica mais insuportável nesta data? Homens ou mulheres?

Fernando: As mulheres. E, digo, fica fácil para nós, homens. Mercado comprador com mercadoria escassa. Mesmo se for só para passar a tal noite das promoções. Uni, duni, tê, a escolhida foi vo-cê.

Mica: Eu tenho uma teoria: o problema não é o dia dos namorados, o problema é essa ideia de que estar solteiro é quase uma vergonha. Mais uma regrinha de felicidade da sociedade perfeita. Pessoas felizes e realizadas pegam, namoram, pegam, casam, pegam. O pegar continua em todas as fases mas isso é outra história. O lance é que é NORMAL estar solteiro, sem peguete da vez, em qualquer época do ano. Isso pode até deixar a pessoa triste, cansada, sentido falta dessa coisa gostosa que é ter alguém. Mas o outro não é condição pra felicidade. Aliás tem uns que só pioram a vida viu...

Kelly: É, tipo, estar namorando não te torna necessariamente feliz e estar solteiro, não significa fracasso na vida amorosa. Eu, como mulher, fico envergonhada ao ver o tanto de publicações de mulheres crescidinhas compartilhando coisas relacionadas a casos com o seu próprio cobertor...

Fernando: Avisando que vai passar o dia 12 solteira. Um, dois, trezentos posts sugestivos. Pô, não funcionou até o terceiro, desiste. Ficar sozinho, e bem, é uma arte. Solidão incomoda. Mas, hoje em dia, e depois que comecei a assistir Criminal Minds, é ter preciso muita calma nessa hora.

Mica: Lembro que quando vi o primeiro post do “alugo-me para o dia dos namorados” rachei. Mas foi há uns dois anos atrás e foi um cara que publicou... Outro contexto, o da piada. De resto, dá uma preguiça... Igual aquela tal de passeata dos solteiros, total vergonha alheia... Vai curtir a vida e conhecer gente que uma hora rola!

Fernando: Quer resolver a vida por causa de uma data comercial. Se for assim, pense em namorar em fevereiro também, quando tem o dia de São Valentim, que só não vale aqui no Brasil, acho. Fica até mais chique. Internacional.

Mica: Eu desconfio que essa data foi inventada pra enlouquecer a mulherada. Pensa, inventa-se uma data para o casal comemorar. Cria-se a tradição de troca de presentes e, mais do que isso, de o homem demonstrar ~todo o seu amor~ pela garota. Aíiii, circo armado, a mulherada fica esperando ansiosamente! E o que acontece? Figth! Porque a maioria dos caras não sabe demonstrar nada! (leiam com ironia, please)

Kelly: Hahaha, neste ponto que a Mica citou, concordo. Mas, lembrei de certas atitudes e acho que, quando o cara se empolga muito, beira à breguice também. Acho que eu tenho a cabeça um tanto quanto 'masculina' pra isso. Porque, sei lá, gosto de praticidade, nada de  muito 'nhenhenhe e mimimi'.

Fernando: Kelly é minoria. Mas, para agradar, é preciso prestar atenção. Só isso. Mas a gente não tá falando de fazer a coisa certa, e sim de como isso, o dia dos namorados, não representa muito no geral.

Kelly: E quando ficam divulgando a tal da criatividade no youtube?! É cara colocando pista na casa inteira pra mulher achar o presente. Não é muito não?! Fernando, vocês homens, ficam sufocados quando nós mulheres tentamos agradar muito nas surpresas? Porque agora, estou fazendo uma auto análise e acho que já fui brega também.

Fernando: Sufoco, Kelly? Às vezes dá. Umas exageram, dá desespero. Outras, fazem tudo certo, e você não estava preparado para retribuir à altura, outro desespero. Cada caso é um caso. Mas uma coisa é certa. Quando você gosta mesmo, a coisa não é dolorida. Mesmo com exageros. Ame, e dê vexame. Tem um livro aí. Se você acha que foi brega, é mais um sentimento seu. Eu acho que você fêz o que deveria fazer, de acordo com o que sentia. Isso vale muito.

Mica: Eu sempre digo, quem gosta faz acontecer. Eu sou mais seca também, não exagero, não lido bem com exageros. Mas deixo isso claro também né!? Porque querer que o outro adivinhe as coisas é absurdo! É pedir pra se decepcionar.

Kelly: Momento vergonha compartilhada: quem aqui já passou vergonha? Exagerou ou recebeu algo exagerado?

Mica: Nunca exagerei e nunca exageraram comigo em dia dos namorados. Maaasss, de história de dia frustrado e presente ruím, faço coleção. 

Fernando: Nunca recebi, que me lembre, algo que me deixou embaraçado, mesmo que pudesse ter sido exagerado. O que dói é você achar que vai agradar, e não agrada. Ui! Sobre amor, só sei que nada sei. Só amo. Doa a quem doer. Eu, incluído.



domingo, 22 de abril de 2012

Manual de Defesa para Festas Furadas


Então você tem uma festa para ir. Legal! Festa geralmente é muito melhor que balada, a coisa é mais intimista, fica mais fácil falar, mais fácil conhecer gente, mais fácil paquerar, não é? Nem sempre...

Samara: A festa está marcada, você já se programou direitinho e combinou com os amigos. Até então super empolgada, chega lá e o lugar não é tudo aquilo que prometeram: muito pequeno para tanta gente e todos sentindo aquele calor insuportável. Ar-condicionado e organização mandaram lembranças.

Kelly: Você vai esperando ouvir um tipo de música, gente interessante, uma bebida decente, mas... na hora que chega, vê que não era bem aquilo. E o pior, é quando você paga [e caro] por uma festa assim.

Mica: Música é essencial para uma festa de sucesso. Aí tem lá o computador do dono da festa e cada hora um vai, troca a música e coloca o que acha mais legal. Pronto, nenhuma música chega ao fim. 

Kelly: A moda agora é todos quererem dar uma de DJ. Não dá certo! Daí, você se atreve a beber. A bebida tá quente ou provavelmente batizaram com alguma porcaria. Como lidar?

Mica: Engraçado que na hora de chamar pra festa a propaganda é a melhor né? Vai bombar! Galera super gente boa! Muita bebida! Uhu! Vamos dançar a noite inteira como se não houvesse amanhã! E a primeira coisa que acaba, antes do amanhã chegar, é bebida. Ou até tem, tang com pinga, vodca barata com halls e coisas do tipo. 

Samara: Aquele ataque de DJ em que as músicas estão super por fora, nitidamente colocado ali de última hora. A bebida que ajudaria a você passar pelo resto da noite sem querer pensar nisso está quente? Quero que o organizador se exploda!

Kelly: Apesar de tudo, você ainda fica mais um pouco, porque há a esperança de que possa melhorar. Ah, sim, claro! Aguarde: Vai chegar um maluco muito doido ou alguma garota-porre pra ficar no seu pé, se você estiver no seu cantinho. Ou seja, 'ficar na miúda' não é muito aconselhável...

Mica: Ih! Lembrei de duas pérolas que ouvi em situações assim - uma o moleque começou a falar de Hegel. Sim, pleno auge da festa, Mica rindo até, o carinha gato (era gato) encosta e começa a analisar a coisa segundo Hegel. Segunda, o cara fala “eu tenho uma meia da mesma cor que a sua”. Festa assim, tem que ser de turma, dessas turminhas impenetráveis, pra fazer uma baladinha dentro da festa. 

Samara: Mesmo assim tem que ficar sempre em movimento para evitar aqueles caras que te puxam pelo braço e mandam aquelas cantadas batidas. Assim você sai do radar dos beberrões, que se acham super engraçados na hora de tentar puxar uma conversa. 

Kelly: Quando a pessoa começa com assuntos nada a ver, só para 'quebrar o gelo', o papo vira aquela coisa do 'E aí, tá frio/calor, né?' Aprendi que em casos como este, o silêncio não deveria ser considerado 'falta de sucesso social' e sim ser apreciado. A escapatória clichê é 'Vou ali procurar minha amiga...' tsc tsc

Mica: E tem também aquelas festas que não são festas, são reuniãozinhas: o povo está sentando conversando, música baixa, quase só tem casal e é só isso. 

Samara: Você tentou entrar no clima super furado da festa, conversou, tentou melhorar o clima para você mesma, afinal, você saiu de casa e a noite não pode ser um desperdício completo, mas é chegada a hora em que é melhor se retirar, para ao menos ter algumas lembranças boas e não se aborrecer por completo, só que ainda tem que enfrentar aquela fila imensa da chapelaria ou do banheiro...  

Kelly: Situação que reavalia-se a amizade do sujeito que te convidou para uma cilada dessas. 

Samara: Depois de tanta cilada em consideração pela amizade, é melhor procurar outra fonte de sugestões e aprender a dizer não. 


Mica: Existem indícios de que você está topando entrar numa roubada. Comece por quem te convidou, em quantas roubadas esse amigo/amiga já te colocou? Depois pergunte sobre a festa, assim verdadeiro interrogatório - que som vai rolar, onde é, pra quantas pessoas, quem vai, como chega, como volta, etc. Preste muita atenção nas respostas, muito cuidado com - tem que ir de carro, é longe, te dou carona. Sinal de alerta que você pode ficar presa na pior festa do momento. 

Kelly: Também nunca caia nessa de que só porque a festa é cara, há mais chances dela ser boa do que ruim! Pesquise a fundo se será daquelas que vai mudar a sua vida ou daquelas que você vai sair xingando porque perdeu dinheiro. Pagar caro e não rolar festão, melhor ficar em casa [eu pelo menos acho].

Mica: Mesmo assim foi e está arrancando os cabelos para fugir do lugar? Beba pouco, porque a probalidade de dar merda é grande. Fique na tua e na primeira oportunidade, vaze. Vale até dizer que que o homem da tua vida te ligou e vai encontrar com ele. Ou que era tua irmã lembrando da festa do cunhado! Só não mate a vó, porque essa nem chefe acredita mais. 

Samara: Na hora de sair da furada, tente encontrar aqueles amigos que estão lá com você na mesma situação, saiam correndo para um barzinho e finalizem a noite rindo pelo que passaram. Ao menos encontrarão bebidas geladas naquele lugar em que sempre se reunem, mas que não deixa de ser agradável. Melhor acabar a noite com alguns amigos e boa risadas, do que nem conseguir sobreviver com eles na festa da qual escaparam.

Kelly: Em todo o caso, se você estiver muito de bem com a vida e prefere se jogar, vai lá: dance a bosta da música do momento ou aproveite até para fazer algo que sempre quis e nunca pôde, nem que seja pra dar bafão. Afinal, a oportunidade está ali. Pelo menos, você terá uma história pra contar depois. Lembrando que, isto vale para quem está no 'pique alto astral'. Se você estiver pra baixo e resolver baixar o santo, hmmm, estas são duas coisas que não combinam muito.

domingo, 25 de março de 2012

'I see green people'


Dias atrás, mais especificamente 17 de março, foi comemorado o St. Patrick's Day - tradicional festa irlandesa, em que as pessoas saem nas ruas trajando roupas verdes, fazem uma caminhada regada a muita cerveja, música, enfim... Você já deve ter ouvido falar dela, pois tem sido comemorada no Brasil nos últimos anos. 


Me convidaram para comemorar e eu topei, claro! Eu adoro festas onde rola se fantasiar. Acho divertido, alto-astral, tudo de legal. Publiquei no meu twitter a respeito e recebi uns comentários não muito agradáveis, questionando a "mania que brasileiro tem de comemorar data gringa". Rendeu tanto, que este é o tema de hoje: Festas não tipicamente brasileiras: comemorá-las SIM, e por que não?

Mica: Nossa tenho tanto a gritar na orelha de quem critica as coisas desta forma... Primeiro, pegar um fato isolado como esse e usar de motivo para sentenciar que "brasileiro tem mania de comemorar data gringa" é, no mínimo, inconsistente. Não há como pegar um comentário simples e transformar numa tese confiável. Imagina se a moda pega? Gente vou hoje na Starbucks - "brasileiro tem mania de comprar marca gringa". Tipo, oi? Logo não se pode dizer nada que automaticamente vira verdade na boca dos politicamente corretos de plantão, formados na faculdade de fofoca da esquina.

Kelly: Surgiram comentários como "Importar uma data que não é nossa para fazermos parte de algo mundial é patético", "Mais uma babaquice típica do nosso país", etc e etc. Primeiro: Até quando ouviremos coisas desse tipo? Será que não é hora de amadurecermos os nossos conceitos? Temos as nossas datas daqui, mas não gosto de todas e nem sou obrigada. Se em outro país, alguém teve uma ideia bacana de comemoração, eu não posso participar porque não é 'from Brasil'? Ah gente, que isso! E estas críticas são para tudo né, a começar pelo Halloween... Quando eu era adolescente, eu confesso que fiquei indignada quando percebi como essa festa estava se popularizando por aqui. Mas daí, você cresce, para pra pensar e conclui 'Por que se incomodar tanto?'. Se é mais legal se fantasiar de bruxa do que de saci, vamos aproveitar, ué.

Mica: Isso que você disse me faz pensar no meu segundo ponto: datas nacionais. Quais? A Páscoa que está chegando, por exemplo, é uma data cristã. Por ser cristã ela não é nacional, na verdade ela vem dos primórdios do cristianismo que não começou no Brasil. Vão citar qual? Quando professora estudei a história de todas e sinto decepcioná-los, não há nenhuma data que comemoramos que seja nacional. Abrasileiradas pelos anos sim, mas todas têm suas raízes em outros países e outras culturas. Carnaval começou na Grécia. Festa junina começou na Europa, era uma comemoração a terra e a colheita nos soltícios de verão. O folclore é nacional, mas nunca foi comemorado além de um desenho na escola... Hipocrisia total criticar uma balada pelo St. Patrick's Day.

Kelly: Mica é cultura! Olha só, eu adoro a Festa Junina, mas nunca tinha me dado ao trabalho de pesquisar como ela havia surgido. Enfim, só o seu comentário já responde qualquer pessoa que use as tais críticas anteriormente citadas! E falando sobre as "nossas datas", nem temos tantas assim que nos proporcionem uma festa legal e divertida. Se Halloween, St. Patrick's Day, entre outras, têm feito sucesso por aqui, é hora de questionarmos o porquê e não a possível "falta de bom senso" do brasileiro.

Mica: Claro! Concordo totalmente! As tradições são inventadas. Porque o Brasil não inventa tradições que nos conquistem? O Carnaval e a Festa Junina como conhecemos foi super abrasileirado e muito brasileiro gosta. Eu confesso que só gosto de Festa Junina. Entre um Carnaval e um St. Patrick Day, fico com o segundo. E aí!? Vai me chamar de traidora? Fala com a minha mão...

Kelly: Hahah, concordo com tudo! Se daqui uns anos, outras festas começarem a fazer parte da nossa cultura, provavelmente elas terão uma 'cara brasileira' com o decorrer dos tempos [conforme então o nosso histórico de datas comemorativas]. E penso que, ao invés de afirmarem que estamos 'perdendo a nossa identidade', deveriam relembrar que somos um país de misturas étnicas, de imigrantes, e que talvez, isso não seja nada mais que um resultado da miscigenação.

Mica: É engraçado isso, porque a gente cresce ouvindo histórias de bruxas, mas na hora de comemorar tem que ser Saci... E já repararam como as histórias do nosso folclore estão ligadas a coisas ruins? Saci, Mani, Negrinho do Pastoreio, Cuca, Curupira, Caipora... Nunca gostei de nenhuma, todas me causavam medo. Mas não aquele medo misturado com desejo na linha “queria que existissem bruxas, queria ser uma”, aquele medo só medo. Nunca sonhei em ser Cuca ou Caipora... Eu apenas penso que diversão é algo simples que tem a ver com afinidade e não com local de nascimento. Se fosse assim, paulista gostar de axé seria absurdo e a Pitty seria Ivete.

E você achando que o pote de ouro no fim do arco íris era coisa brasileira... quem colocou? O saci?

domingo, 18 de março de 2012

Um brinde ou uma voadora, ao seu dispor


Mica: Você já se deparou no facebook com fotos e dizeres do tipo “Mulheres: isso é legal, isso não é legal”? Já viu aquela “eu prefiro isso, a isso”? Reparou nas fotos? Nós reparamos e estamos com as voadoras preparadas!

Kelly: Pois bem, a moda do momento é compartilhar fotos em que aparecem mulheres jogadas na rua, ou sei lá o quê, por terem bebido demais. E na foto, os dizeres: 'Depois quer ser respeitada' ou 'Depois reclama que não aparece ninguém [namorado] na vida dela'. E pior, uma bomba de comentários [tanto do sexo masculino quanto feminino] apoiando esse "movimento", rotulando estas mulheres com os piores adjetivos possíveis.

Mica: OH WAIT!!! Quando foi que voltamos no tempo? Apesar que tentei lembrar uma época em que mulher não bebia e me vi na idade da pedra... Pessoas: mulher também bebe. E gosta. “Ah, mas estamos falando de exageros” E desde quando quem bebe não exagera!? Eu acho que não chegando no ponto 28 dias e destruindo o casamento da irmã, tá valendo.

Se eu quiser fumar, eu fumo
Se eu quiser beber, eu bebo
Pago tudo que eu consumo
Com suor do meu emprego



Kelly: Eu me assustei e me indignei com a quantidade de pessoas que compartilharam e participaram com comentários ofensivos. Porque, pera aí, que história é essa agora? Se eu quiser ficar bêbada, nem posso, afinal, tem toda uma sociedade aí, julgando meu comportamento como inapropriado. Eu penso que: se o dinheiro é meu, se eu bebo e não saio matando gente por aí ou afins, qual o problema das pessoas com isso?




Mica: Sabe Kelly, você está certíssima. O povo precisa parar com essa mania abominável de só enxergar dois tipos de mulheres: maria e madalena - a virgem e a puta. Quer ter um cara apaixonado por você? Não fume, não beba, não engorde, não dê na primeira noite, não fale alto, sonhe com filhos, use salto, tenha cabelo cumprido, etc etc etc... Ainda!? Pourra! Imagine se você seguir tudo isso o chato que vai arrumar? Eu quero um cara que beba comigo. No dia que ele exagerar, eu rio e carrego ele. No dia que eu exagerar, ele ri e me protege. 

Kelly: Exato! Pode surgir alguém aqui que diga "Ah, mas tome cuidado, bebida é uma droga, etc, etc" e que talvez estejamos fazendo apologia para a bebida em excesso. Olha, bebida altera o comportamento sim e possui as características de uma droga. Porém, você não bebe uma dose e fica viciada três horas depois. A vida em si, já é cheia de regrinhas pra cumprir. Às vezes é um saco enorme! E vou negar que tem horas que eu quero mesmo é sair de mim? Não, não nego e assumo que um porre às vezes é muito necessário.

Mica: Isso me fez lembrar a Priscila Valdes, um dia ela me disse “as vezes é preciso se entorpecer para enxergar a vida de outro ângulo”. Nunca esqueci. Um porre com os amigos me faz digerir muita pedrada que tomo. Faz minha criatividade bombar, porque me tira do comum. É lógico que ninguém aqui está defendendo o alcoolismo uhu, até porque isso é uma doença. Há o risco? Sim. Atravessar a rua também. No entanto, a crítica aqui vai para o julgamento moral da mulherada que bebe, é outro papo. 

Kelly: Conheço pessoas que não bebem e tudo bem. Não me intrometo. Porém, dentre as que não bebem, sempre tem um pra atacar, pra definir porre como estupidez. Olha, as pessoas bebem pelos motivos que a Mica citou acima, dentre outros. A bebida é uma das poucas diversões do mundo adulto, justamente porque ela nos torna crianças de novo. E agora, focarem e crucificarem as mulheres que apreciam 'tal diversão' era só o que faltava pra tornar este mundo mais chato do que já está.

E aí alguém vai dispensar a Katy Perry!?
Mica: Eu não confio em quem nunca tomou um porre, Kelly. Ah! Todo mundo julga quem bebe, então vou abrir minha boca também. Não confio. Explico: se você já tomou um porre e escolheu que isso não tem nada a ver com você, te admiro; se tomou, gostou e vai fazer quando der na telha, te admiro, mas se NUNCA tomou um porre, eu não confio em você. Não confio numa pessoa que engoliu um discurso moral-médico de que isso é errado e simplesmente aceitou. Quem não questiona é comandado. Quem não se arrisca, não se conhece. Você que nunca ousou sequer tomar um único porre na vida, não sabe realmente quem é. E se você bebe porque acha que pra ser LEGAL tem que beber, tá no mesmo time. Não aceitar imposições e descobrir o que serve pra você é imprescindível. Eu não confio em quem SÓ faz o que a sociedade, a igreja, o estado, a lei e a família mandam, sem reflexão. Cara que posta essa besteira no facebook é isso, mané que não pensa. 

Kelly: Sabe, e se a questão é "Nossa, mas mulher bêbada é feio demais", repito "O que você tem a ver com isso?". Não é da sua conta e engula essa! Seguinte: Pessoas, não vou deixar de beber pra posar de boa moça. Se um cara ou uma mulher, acha que eu mereço estar solteira por eu beber demais, parabéns pra eles! E se um cara me rejeita por ter me visto bêbada ou com um copo na mão, acho é bom. Menos um idiota na vida pra me encher o saco.